segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Sobre ser luz no mundo


Hoje pensei, mais uma vez, que sou tão pouco em mim mesmo. E ainda assim, sou luz. Como posso ser luz sendo tão apagado? É que não sou luz em mim mesmo. O pouco que sou se fortalece em Deus, meu Salvador. 'Salvação' tem a mesma raiz que 'saúde'. Ser salvo é recuperar a saúde. A todos os momentos preciso ser salvo, a todos os momentos preciso de saúde: saúde física, saúde mental, saúde emocional, saúde espiritual, saúde cultural. O Senhor, amorosamente, me cura, aos poucos, lentamente, naquilo que é fundamental e necessário para mim.
Nisso é curioso observar como as velocidades são diferentes: a do meu desejo de cura e a da cura que Deus provê. Eu tenho pressa. Eu quero velocidade. Eu sou um eu apenas, e nem sequer sei, na maior parte das vezes, querer para mim, quanto mais para Deus? E o Bom Deus me ensina a arte de esperar para que a salvação seja de mansidão e domínio de mim, em liberdade de caminhada, em fortaleza e fidelidade. Por vezes, até de mim mesmo preciso de salvação! E, na bondade perfeita, Deus restitui minha saúde.
Então sinto-me como um espelho que reflete a luz de Deus. Eu sou lua do Sol que é o meu Senhor. Meu luar servirá para quê? Para ser luz para os Outros. Minha luz, tão fraca, e apenas o reflexo da luz divina, deve levar cura, salvação, para os outros.
Leio no livro dos Atos dos Apóstolos:
"Eu coloquei você como luz para os outros povos, a fim de que você leve salvação ao mundo inteiro" (Atos 13, 47).
Meu Senhor confiará muito em mim, caso contrário não ousaria esperar tanto de mim, tão pequeno que sou. Mas, Ele não confia em mim na minha própria força, mas no trabalho que Ele tem feito em mim. Melhor, no trabalho de cura, lenta e gradativa, que ele faz em mim. Assim, a bondade de Deus vai me polindo, como a um espelho e permite que a sua luz preciosa se reflita aos Outros para que todos possam também ter cura e saúde. Eu posso levar saúde aos Outros. Fascinante!
Tenho me dedicado a levar a saúde por meio da educação. Mas, é tão pálida a luz da lua que sou! E ainda assim, posso levar a salvação ao mundo inteiro! Fascinante!
É um trabalho de alegria. Ser curado por Deus, participar em refletir sua Santa Luz, refleti-la aos Outros. Eu sou como a pequena moeda perdida da parábola de Cristo:
"Se uma mulher que tem dez moedas de prata perder uma, vai procurá-la não é? Ela acende uma lamparina, varre a casa e procura com muito cuidado até achá-la. E, quando a encontra, convida as amigas e vizinhas e diz: 'Alegrem-se comigo porque achei a minha moeda perdida'. Pois eu vos digo que assim também os anjos de Deus se alegrarão por causa de um pecador que se arrepende de seus pecados". (Lucas 15, 8 a 10).
Devo ser motivo de muita alegria aos anjos pois constantemente me perco. E, constantemente, me deixo encontrar. Quando estou perdido, estou enfermo. Quando sou encontrado, brilho em saúde. Sou salvo. A saúde do espírito sobretudo.
Como a mulher procura a moeda perdida? Acende uma lamparina. Por meio da luz. A luz dos Outros, espelhos do Divino, por vezes permitem que eu seja encontrado e provoque alegria no Céu. Em alguns momentos, eu mesmo sou a lamparina acesa pelo Bom Deus para buscar moedas perdidas. Para dar alegria aos anjos. E, no exercício constante de perder-me e ser encontrado e de encontrar outros vou, eu mesmo, aprendendo a alegria de achar a moeda perdida. A alegria é saúde, a alegria é prova da Salvação de nosso Bom Deus.