segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Deus: ternura e justiça

Deus é amor. Carinho terno. A ternura é, cada vez mais, uma experiência rara. A falta da experiência cotidiana com a ternura nos deixa uma falta: falta-nos a experiência de Deus, falta-nos a experiência do amor.
Deus é justiça. Justiça e Amor se encontram na Pessoa Divina. O Mistério de Deus nos ouve, nos acolhe, nos respeita, nos ensina, apesar do pequeno que somos. E, apesar do pequeno que somos, somos imagem e semelhança de Deus. Então, somos também a possibilidade de sermos o lugar do encontro da Justiça e do Amor.
A justiça e o amor se manifestam diante dos outros, dos muitos. A justiça e o amor se manifestam escondidos dos outros. Mas, de um modo ou do outro, refletem-se em muitos espaços e tempos, atualizam o passado, semeiam para o futuro.
A alma tem sede: da experiência da ternura de Deus, da experiência da justiça de Deus, da vivência do amor de Deus.
Tudo eu posso fazer de dois modos: para mim ou para Deus. Ao fazer algo para mim, encerro em mim as ações que faço. Ao fazer algo para Deus, projeto-me para dentro de Deus. Torno-me participante de sua divindade.
A mesma ação, com os mesmos resultados. Duas ações iguais em tudo, uma feita para mim e por mim e outra feita para Deus e por Deus. Essa me projeta para dentro do Misterio Divino e redimensiona meus limites. Essa faz-me grande. Faz-me de Deus.
Mas como posso fazer algo para Deus e não para mim?
Tenho pensado muito nisso. E assim acredito: antes de tudo, orando. Na oração posso dizer: "Senhor permite que o que eu fizer hoje seja Serviço Sagrado".
Depois alimentando-me da ternura de Deus. Do seu carinho por mim. Vendo o invisível em todas as manifestações ao meu redor.
Eu, particularmente, sinto muita a necessidade de estudar meu Deus. Estudar Sua Palavra, ouvi-lo na homilía da Missa, ouvi-lo em livros que falam de seu Mistério. Esse estudo não pode, contudo, ser para outra coisa que não para cultivar em mim a reverência ao Sagrado e a ternura de meu Deus.
Cotidianamente.