quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012
UMA ARTE (Elizabeth Bishop)
A arte de perder não é nenhum mistério
tantas coisas contém em si o acidente
de perdê-las, que perder não é nada sério.
Perca um pouco a cada dia. Aceite austero,
a chave perdida, a hora gasta bestamente.
A arte de perder não é nenhum mistério.
Depois perca mais rápido, com mais critério:
lugares, nomes, a escala subseqüente
da viagem não feita. Nada disso é sério.
Perdi o relógio de mamãe. Ah! E nem quero
lembrar a perda de três casas excelentes.
A arte de perder não é nenhum mistério.
Perdi duas cidades lindas. Um império
que era meu, dois rios, e mais um continente.
Tenho saudade deles. Mas não é nada sério.
Mesmo perder você ( a voz, o ar etéreo, que eu amo)
não muda nada. Pois é evidente
que a arte de perder não chega a ser um mistério
por muito que pareça (escreve) muito sério.
(Elizabeth Bishop; tradução de Paulo Henriques Brito)
quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012
Sobre Amar
Amar o pequeno, o ínfimo, o imperceptível.
Amar o inseto, a folha caída no chão, a pequena pedra.
Amar um desconhecido que nos atravessa o caminho.
Amar um pássaro que voa no alto do céu.
Amar o que não se vê, mas se sente e se vive.
Amar a luz do sol que se reflete na parede em frente.
Amar a brisa que sacode as folhas da árvore em frente.
Amar a terra que faz germinar as flores no canteiro em frente.
Amar o que ainda não tem contornos claros, mas está lá.
Amar a névoa, o caminho ao amanhecer, o ocaso.
Amar o Outro que se apresenta na nossa vida para construir vida conosco.
Amar o espaço entre mim e o Outro, onde mora o futuro.
Amar o que foi, o que passou, o que nos construiu
Amar o passado que fez a história de quem somos.
Amar o recôndito do nosso coração, onde mora o Sagrado.
Amar o tempo que se inscreve em nossa alma a cada pulsar do amor.
Amar o inseto, a folha caída no chão, a pequena pedra.
Amar um desconhecido que nos atravessa o caminho.
Amar um pássaro que voa no alto do céu.
Amar o que não se vê, mas se sente e se vive.
Amar a luz do sol que se reflete na parede em frente.
Amar a brisa que sacode as folhas da árvore em frente.
Amar a terra que faz germinar as flores no canteiro em frente.
Amar o que ainda não tem contornos claros, mas está lá.
Amar a névoa, o caminho ao amanhecer, o ocaso.
Amar o Outro que se apresenta na nossa vida para construir vida conosco.
Amar o espaço entre mim e o Outro, onde mora o futuro.
Amar o que foi, o que passou, o que nos construiu
Amar o passado que fez a história de quem somos.
Amar o recôndito do nosso coração, onde mora o Sagrado.
Amar o tempo que se inscreve em nossa alma a cada pulsar do amor.
segunda-feira, 2 de janeiro de 2012
Sobre ser luz no mundo
Hoje pensei, mais uma vez, que sou tão pouco em mim mesmo. E ainda assim, sou luz. Como posso ser luz sendo tão apagado? É que não sou luz em mim mesmo. O pouco que sou se fortalece em Deus, meu Salvador. 'Salvação' tem a mesma raiz que 'saúde'. Ser salvo é recuperar a saúde. A todos os momentos preciso ser salvo, a todos os momentos preciso de saúde: saúde física, saúde mental, saúde emocional, saúde espiritual, saúde cultural. O Senhor, amorosamente, me cura, aos poucos, lentamente, naquilo que é fundamental e necessário para mim.
Nisso é curioso observar como as velocidades são diferentes: a do meu desejo de cura e a da cura que Deus provê. Eu tenho pressa. Eu quero velocidade. Eu sou um eu apenas, e nem sequer sei, na maior parte das vezes, querer para mim, quanto mais para Deus? E o Bom Deus me ensina a arte de esperar para que a salvação seja de mansidão e domínio de mim, em liberdade de caminhada, em fortaleza e fidelidade. Por vezes, até de mim mesmo preciso de salvação! E, na bondade perfeita, Deus restitui minha saúde.
Então sinto-me como um espelho que reflete a luz de Deus. Eu sou lua do Sol que é o meu Senhor. Meu luar servirá para quê? Para ser luz para os Outros. Minha luz, tão fraca, e apenas o reflexo da luz divina, deve levar cura, salvação, para os outros.
Leio no livro dos Atos dos Apóstolos:
"Eu coloquei você como luz para os outros povos, a fim de que você leve salvação ao mundo inteiro" (Atos 13, 47).
Meu Senhor confiará muito em mim, caso contrário não ousaria esperar tanto de mim, tão pequeno que sou. Mas, Ele não confia em mim na minha própria força, mas no trabalho que Ele tem feito em mim. Melhor, no trabalho de cura, lenta e gradativa, que ele faz em mim. Assim, a bondade de Deus vai me polindo, como a um espelho e permite que a sua luz preciosa se reflita aos Outros para que todos possam também ter cura e saúde. Eu posso levar saúde aos Outros. Fascinante!
Tenho me dedicado a levar a saúde por meio da educação. Mas, é tão pálida a luz da lua que sou! E ainda assim, posso levar a salvação ao mundo inteiro! Fascinante!
É um trabalho de alegria. Ser curado por Deus, participar em refletir sua Santa Luz, refleti-la aos Outros. Eu sou como a pequena moeda perdida da parábola de Cristo:
"Se uma mulher que tem dez moedas de prata perder uma, vai procurá-la não é? Ela acende uma lamparina, varre a casa e procura com muito cuidado até achá-la. E, quando a encontra, convida as amigas e vizinhas e diz: 'Alegrem-se comigo porque achei a minha moeda perdida'. Pois eu vos digo que assim também os anjos de Deus se alegrarão por causa de um pecador que se arrepende de seus pecados". (Lucas 15, 8 a 10).
Devo ser motivo de muita alegria aos anjos pois constantemente me perco. E, constantemente, me deixo encontrar. Quando estou perdido, estou enfermo. Quando sou encontrado, brilho em saúde. Sou salvo. A saúde do espírito sobretudo.
Como a mulher procura a moeda perdida? Acende uma lamparina. Por meio da luz. A luz dos Outros, espelhos do Divino, por vezes permitem que eu seja encontrado e provoque alegria no Céu. Em alguns momentos, eu mesmo sou a lamparina acesa pelo Bom Deus para buscar moedas perdidas. Para dar alegria aos anjos. E, no exercício constante de perder-me e ser encontrado e de encontrar outros vou, eu mesmo, aprendendo a alegria de achar a moeda perdida. A alegria é saúde, a alegria é prova da Salvação de nosso Bom Deus.
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